Os prós e contras em fazer carreira no exterior
Ignorando os reflexos da crise, muitas empresas de tecnologia da informação (TI) têm mantido seus planos de transferência de executivos ao exterior – sobretudo as brasileiras. O que em princípio representa a possibilidade de se obter uma promoção, ganhar mais e dar um salto na carreira pode resultar em frustrações.
Para isso, é necessário avaliar os prós e os contras na hora de aceitar um convite. “Indiscutivelmente, fazer uma carreira internacional é diferencial para os profissionais diante de economias cada vez mais globais”, destaca Julio Cardozo, consultor de gestão e carreira da Julio Sergio Cardozo & Associados. “Aprender novas culturas é passaporte para ascender”, completa.
No entanto, o consultor destaca para a importância de planejar todos os passos a serem dados e refletir sobre os pontos que devem ser avaliados. “Não há garantia alguma de que, na volta, o profissional terá cadeira cativa na empresa”, atenta. “Da mesma forma que nem sempre a pessoa é promovida”, completa. Detalhes que, segundo Cardozo, devem ser negociados e acertados antes da partida.
Uma pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral (FDC), com 165 profissionais dos dez maiores grupos privados do País, confirma o alerta dado pelo consultor. Do total de entrevistados, 60% não têm emprego garantido quando retornam, 87% não são promovidos e 80% sentem que a experiência adquirida lá fora não é valorizada como acreditavam.
“O profissional precisa estar preparado para saber administrar expectativas; tentando aproveitar a experiência trazida na bagagem da melhor forma possível”, orienta Betania Tanure, professora da FDC e responsável pela pesquisa. “Isso porque o profissional sempre espera desenvolver suas competências, enquanto a empresa, na maioria das vezes, quer que o executivo apenas monte a operação lá fora e transmita sua estratégia de gestão".
O levantamento da Dom Cabral aponta ainda que, no regresso, 35% recebem uma remuneração total (salário fixo, variável e benefícios) menor. Este é outro ponto relevante. “As empresas adotam práticas salariais de acordo com o padrão de vida de cada país e muitos benefícios são cortados na volta, como casa e escola para os filhos”, diz Betania.
Julio Cardozo também alerta para o fato de quem está fora ficar na mira das empresas em momentos de crise. "É sempre bom ficar atento, porque aqueles que foram transferidos são os primeiros a serem cortados em épocas de instabilidade", afirma.
Fonte: Computerworld
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